Em novembro de 2012, o escritor de
romances policiais Elmore Leonard recebeu uma medalha da National Book
Foundation por sua contribuição à literatura americana. Tinha, então, 86
anos e 45 livros escritos. E motivação para trabalhar em mais alguns. “Provavelmente
não vou desistir (de escrever) enquanto eu não desistir de tudo, na
minha vida, porque isso é tudo o que eu sei fazer. E me divirto
escrevendo. Eu disse a mim mesmo: Você tem que se divertir fazendo isso,
ou isso te enlouquecerá”, comentou em entrevista à época da homenagem,
quando escrevia seu 46.º romance, “Blue Dreams”, que estava previsto
para 2013, e pensava nas histórias que viriam depois. Mas no dia 29 de
julho, já com 87 anos, ele sofreu um acidente vascular cerebral. Chegou a
sair do hospital, e morreu nesta terça-feira, 20, em sua casa, num
subúrbio de Detroit, cenário de boa parte de seus livros, ao lado da
família.
Nascido em 11 de outubro de
1925, em New Orleans, Leonard trabalhou como redator publicitário até a
década de 1960, quando decidiu se dedicar à literatura em tempo
integral. Embora tenha se consagrado como autor romances policiais como
“Ponche de Rum”, adaptado para o cinema por Quentin Tarantino em “Jackie
Brown”, “Irresistível Paixão”, “Bandidos” e “Cuba Libre”, ele primeiro
se celebrizou como autor de faroestes como “Hombre” e “A Lei em
Randado”.
É dele o roteiro de “Joe Kidd”,
protagonizado por Clint Eastwood. Ao ganhar seu último prêmio, o autor
foi incluído pela National Book Foundation numa seleta lista de
escritores. Ao lado dele, nomes como Ray Bradbury, Norman Mailer, Arthur
Miller, Philip Roth e John Updike. Ficou sabendo de uma outra
homenagem, mas não deu tempo de vê-la concluída. A Library of America
publicará, em 2014, quatro volumes dele em capa dura - outros serão
lançados posteriormente -, em coleção que dedica aos grandes autores
americanos.
Entre eles, Herman Melville e Saul
Bellow. Leonard citava Ernest Hemingway como uma inspiração - ele
confessou certa vez ter estudado atentamente os livros dele para
aprimorar sua própria escrita. No entanto, criticava a ausência de humor
na prosa do autor de “Paris é Uma Festa”. Gostava de Hemingway, mas era
chamado de Dickens de Detroit pela maneira vívida e intensa como
retratava personagens marginais e marginalizados da cidade.
Para
ele, aliás, personagens eram mais importantes que a ação. Dono de uma
linguagem simples e direta, Leonard não gostava, porém, de comentar
sobre seu processo ou seus personagens. Questionado sobre qual seria seu
protagonista preferido, respondeu: “Gosto deles todos. Se um não
funciona, ele acaba levando um tiro”.
Leonard
virou sucesso de público já sessentão. O reconhecimento da crítica veio
um tempo depois. Mas fato é que quase todas as suas criações viraram
best-sellers mundiais - com ou sem a ajuda dos filmes que elas
inspirariam - um dos primeiros adaptados foi “Hombre”, em 1967, com Paul
Newman no elenco.
Há cerca de 20 livros
disponíveis nas livrarias brasileiras - quase todos publicados pela
Rocco, que não tem mais nenhum título dele para ser editado. Mas há dois
volumes no prelo da Companhia das Letras. Em outubro, ela lança
“Raylan”, o 45.º romance de Leonard. E em 2014, sai “Djibouti”,
publicado em 2010 e que mistura piratas somalis e terroristas da Al
Qaeda. Estadão Conteúdo













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