Uma
clínica pública da Inglaterra tem causado polêmica ao tratar crianças
transexuais com menos de 12 anos, dando a elas bloqueadores hormonais
que preparam mais cedo para a mudança de sexo. Segundo o site do jornal
inglês Daily Mail, o procedimento é feito por outros médicos apenas após
os 16 anos. O tratamento, feito para
frear os efeitos da puberdade e prevenir que as crianas desenvolvam as
características sexuais do gênero que nasceram, foi realizado em mais de
20 jovens que sofrem com transtorno de identidade de gênero. O uso de
medicação foi iniciado em 2011, na Tavistock Clinic, em Londres, como
parte de um estudo em que os especialistas queriam avaliar os benefícios
dos médicos caso começassem a ser introduzidos mais cedo na vida das
crianças, de acordo com o jornal Sunday Times. Na
época, a iniciativa foi considerada controversa, já que muitos
pacientes não tinham condições de entender e consentir com a terapia. No
entanto, o local recebeu pedidos de 142 crianças entre 11 e 15 anos
enviados por pais e profissionais de educação.A
abordagem da clínica se diferencia de outros procedimentos feitos no
Reino Unido, onde as crianças não recebem nenhum tipo de hormônio até os
16 anos e, somente depois dessa idade, fazem tratamentos específicos e
eficazes para a mudança de sexo. Mas, os defensores do tratamento
argumentam que muitas delas já viveram o início da puberdade bem antes
dos 16 anos o que dificulta a transição no futuro, uma vez que o corpo
já recebeu cargas de hormônios do sexo de nascimento . "É melhor para as
crianças que não tenham passado pela puberdade antes do tratamento de
transição", explica a Dra. Carmichael.
Apesar
do procedimento, a especilista reconhece que é um passo grande demais a
ser tomado por crianças com esta idade e que isto exige certos
cuidados. "Você está exigindo de uma criança de 11 anos para que decida
sobre sua vida adulta e sua identidade, por isso temos que ter muito
cuidado para manter as opções em aberto", afirma.
Recentemente,
o adolescente de 12 anos Leo Waddell foi a público pedir que os médicos
permitesse que ele use os bloqueadores de hôrmonio. Nascido como uma
menina chamada Lili, ele vive como um garoto desde os cinco anos e
pretende fazer uso de testosterona quando chegar aos 16 e, aos 18,
passar pela cirurgia de mudança de sexo. Mas, até lá, ele acredita que é
melhor usar os medicamentos para bloquear a puberdade e evitar que os
hôrmonios femininos se espalhem pelo seu corpo. No
entanto, os especialistas recusaram o pedido de Leo ao alegar que não
têm certeza sob os efeitos a longo prazo que o uso destes remédios podem
causar. "O que as pessoas não entendem é que é muito mais perigoso para
ele não receber os hormônios, porque este tormento está fazendo ele
ficar cada mais triste", afirmou a mãe de Leo, Hayley.
Em
2009, aos 16 anos, Jackie Green foi a pessoa mais jovem do mundo a
realizar a cirurgia de mudança de gênero. Ela havia nascido menino e
recebia hormônios desde os 12 anos, em Boston, nos Estados Unidos. Três
anos após o procedimento, ela tornou-se a primeira transexual a estar
entre as finalistas do concurso Miss Inglaterra.













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