“Eu ando com medo. Tenho mulher,
filha e já percebi que esse pessoal é capaz de tudo”. O relato poderia
ser de muitos moradores de Rio Real, a 202 quilômetros de Salvador, na
divisa com Sergipe. Mas, no caso, é do próprio juiz da cidade, Josemar
Dias Cerqueira. Não é a única autoridade local a andar por aí com receio. “Eu circulo muito e tenho medo, né? A coisa está saindo do controle”, conta o presidente da Câmara de Vereadores, Cleriston Barbosa. Se juiz e presidente da Câmara estão com medo, imagine o restante da população. A razão do temor coletivo está na atuação da Polícia Militar
local, comandada pelo major Florisvaldo Passos Ribeiro, há dois anos à
frente da 6ª Companhia Independente da PM (CIPM), com sede no município.
O major e seus comandados são acusados de promover espancamentos,
torturas, invasões de residências e prisões ilegais. Nas contas do juiz,
só entre março e maio deste ano, foram dez assassinatos em
circunstâncias “estranhas”, o que reforça a suspeita da existência de um
grupo de extermínio. “É sempre alguém em um carro ou uma moto que
chega, atira e vai embora. Desde que o major assumiu (em setembro de
2011), isso aumentou muito”, avalia o magistrado, que está há nove anos
na cidade. Diante dos fatos, juiz, presidente da Câmara e o próprio
prefeito assinaram um ofício enviado ao Ministério Público
(MP) pedindo investigação dos fatos. O problema é que Rio Real está sem
promotor titular há cinco anos. “Eu não posso tomar nenhuma decisão se
não for provocado pelo MP. O promotor é de Alagoinhas e acumula função.
Mas acho que já passou da hora de tomar providências”, explica o juiz.
Diversos documentos semelhantes foram enviados também à delegacia.
(Correio)
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
11/21/2013 03:41:00 AM
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Major é acusado de tocar o terror em Rio Real
21 de Novembro de 2013 Postado por: jrnewsbahia













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