O anúncio de um romance entre duas mulheres na novela Em Família foi feito por seu autor, Manoel Carlos, no calor da aceitação do casal Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso), que roubou a cena no folhetim antecessor, Amor à Vida, de Walcyr Carrasco. Mas o envolvimento da dona de casa Clara (Giovanna Antonelli), casada e mãe de um filho pequeno, com a fotógrafa Marina (Tainá Müller) tem dividido o público. Muitos torcem o nariz para a possibilidade de Clara deixar Cadu (Reynaldo Gianecchini), marido devotado e, além de tudo, muito doente. Nos capítulos mais recentes, os dois estão mais próximos, e as cenas mais quentes das duas perderam espaço na trama. “Como todo assunto polêmico, há quem aprove e quem não aprove, mas as manifestações que temos recebido são de aprovação em sua maioria. Ainda não me defini por nenhuma das duas tendências”, comenta Manoel Carlos. Tainá tem a mesma impressão que o autor: “O que chega para mim sobre elas é positivo. Mas, claro, não há unanimidade. Há opiniões distintas, e isso é importante. Acho que fazer personagens que despertem o debate e, às vezes, até o incômodo, é bom, porque faz as pessoas pensarem”, avalia Tainá.Para Giovanna, “os personagens das novelas não são feitos para serem aceitos por todos”. “Tem gente que não gostava da dona Helô (de Salve Jorge, 2012), nem da Capitu (de Laços de Família, 2000). Como tem gente que não deve gostar da Giovanna”.
O sucesso da dupla nas redes sociais, no entanto, é grande. A hashtag ‘Clarina’ vem se reproduzindo em posts pelo Facebook e pelo Twitter. Pouco adepta da rede social de mensagens de até 140 caracteres, Tainá resolveu ativar sua conta para acompanhar o fenômeno.
“Fui muito cobrada pelo público logo no início da novela e fiz isso. Aí comecei a entrar nesse mundo fantástico da interação social com os telespectadores, que é uma coisa inédita na vida de um ator. Você pode ver instantaneamente o que a galera achou da sua cena. É espontâneo e, por isso, eu acho que é um termômetro tão confiável, porque ali ninguém tem interesses maiores”, pondera ela, que hoje tem mais de 25 mil seguidores.
Mais antiga no Twitter (tem quase 2 milhões de seguidores, que chama de ‘exército de formiguinhas’), Giovanna diz achar a torcida dos internautas um barato. “Tudo o que a gente sempre quis desde o início era contar uma história e que as pessoas acreditassem nela. Independentemente de Clara e Marina ficarem juntas; a gente não está fazendo apologia a nada. Somos apenas atrizes fazendo um trabalho”.
A composição das personagens de Giovanna, aliás, é semelhante ao método das formiguinhas, ela conta. “Gosto muito de focar nos detalhes sempre. Tem gente que prefere compor um personagem de dentro pra fora. Eu gosto de compor de fora pra dentro. Até eu chegar à alma daquela personagem, eu preciso saber a cor da unha, se ela usa rasteira, salto anabela ou agulha; se ela usa vestido largo ou apertado. Porque isso me traz uma postura que vai se desencadeando até chegar no cabelo que eu tinha pensado”. (Correio)













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