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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Morte de crianças esquecidas desperta atenção sobre comportamento de pais

19  de  Dezembro   de  2014   Postado  por  jrnewsbahia:
Com o advento da internet, a propagação das redes sociais e a rápida divulgação das notícias, uma nova relação entre o tempo e o indivíduo foi estabelecida. Com isso, as pessoas deixaram de apresentar uma dedicação completa às ações, pois tendem a ser multifocais, como explica a psicóloga Lorena Azevedo. Segundo ela, a falta de concentração nas atividades realizadas e o estresse diário podem resultar em ações perigosas, como por exemplo, a morte das três crianças esquecidas por pais e cuidadores dentro de veículos.   Preocupações com a vida pessoal ou profissional, agendas apertadas, trânsito travado, compromissos importantes e mudança de rotina. Esses são alguns dos fatores que podem nos levar a esquecer de algo ou até mesmo de alguém. Em cinco dias, os três casos semelhantes chamaram atenção da sociedade por causa da fatalidade e das discussões a respeito dos fatos. Na última quarta-feira, uma criança de dois anos morreu após ficar trancada em um carro, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. O pai, que não tinha costume de levar a filha à escola, saiu de casa com a criança e seguiu direto para o trabalho. De acordo com a polícia, ele só percebeu o erro às 18 horas, quando foi buscar a criança e foi informado que ela não tinha ido à escola. Desesperado, o funcionário público Rodrigo Machado correu o veículo e encontrou a filha morta, no banco de trás.Já em Belo Horizonte, Renata Ferreira saiu cedo de casa, esqueceu de levar a filha de dois anos para a creche e seguiu direto para o trabalho. Durante o dia, ela trabalhou normalmente e não lembrou que a menina estava no banco traseiro. Ao se dirigir à creche, no final da tarde, foi informada que a filha não estava lá e lembrou que tinha esquecido da criança. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ainda foi acionado, mas Clarisse Ferreira Ribeiro foi encontrada sem vida na cadeirinha do carro, após ficar seis horas em um estacionamento descoberto. Já no último dia 12, Gabriel Martins de Oliveira morreu após ser ficado trancado por quase duas horas, sob sol forte, dentro do veículo de transporte escolar que o levava para a creche. A motorista, Cláudia Vidal da Silva, havia deixado o menino no carro para fazer as unhas em um salão de beleza. Quando retornou, o menino já estava em estado convulsivo. Segundo a psicóloga Lorena Azevedo, é difícil traçar um perfil para os responsáveis pela morte das crianças, mas a relação atual estabelecida com o tempo pode ser o principal agente motivador das ocorrências. “Nossa relação atual com o tempo é diferente, devido às redes sociais e a globalização. Agimos com imediatismo, queremos estar antenados a tudo e, com isso, terminamos exercendo as funções no automático. Creio que foi isso que aconteceu com esses pais e com a cuidadora, mas antes de traçar perfil é preciso observar que tipo de trabalho eles têm. Se estavam com muitos compromissos ou preocupados com algo no dia do ocorrido”, disse. Ainda de acordo com Azevedo, a corrida do dia a dia faz com que os pais pulem obrigações, que nestes casos levaram à morte. “Os casos tiveram situações semelhantes, o que prova que com a corrida diária, muitas vezes as pessoas executam as ações sem estarem ali por completo, pois estão com o pensamento em outras, ou até mesmo pulam obrigações, sem perceber, como foi o caso das crianças esquecidas”, explicou. A psicóloga ainda alerta para a importância de uma ‘desaceleração’ para que as ações sejam executadas com calma, atenção e devida prioridade. “Não podemos fazer tudo ao mesmo tempo. Temos que nos concentrar em cada ação executada para que não façamos uma coisa privilegiando a atividade que vem em seguida”, ensinou. (G1)

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