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sexta-feira, 6 de março de 2015

Um mês após 12 mortes no Cabula, testemunhas não aparecem: 'Medo'

06  de  Março  de  2015   postado  por  jrnewsbahia: 
A ação policial ocorrida no dia 6 de fevereiro deste ano, na Vila Moisés, no bairro do Cabula, em Salvador, que deixou 12 mortos e cinco feridos - entre eles, um policial, atingido por um tiro de raspão na cabeça - completa um mês nesta sexta-feira (6). Neste período, órgãos como Defensoria Pública do Estado e Ministério Público da Bahia (MP-BA) informaram que as testemunhas 'in loco', aquelas que estavam no local durante a ação, não se apresentaram e nem registraram queixas sobre o caso. Até o dia 4 de março, apenas os noves policias envolvidos e os sobreviventes da ação policial são personagens que testemunharam a ação 'in loco'. Moradores da Vila Moisés prestaram denúncias anônimas informando que traficantes da região impuseram a determinação de que ninguém da comunidade fale com a polícia a respeito do assunto. "Não acredito que ninguém tenha visto. O local [onde ocorreu a ação] tem muitas residências. Fui ao local e encontrei janelas e portas fechadas. As pessoas estão com medo. Queria pedir para pessoas que viram, que nos procure e fale sobre o crime. Nem precisa ir à polícia. Basta aparecer aqui no MP-BA, que a identidade será preservada", falou o promotor Davi Gallo, que atua no caso frente ao MP-BA. O comportamento dos moradores da localidade é confirmado pelo coordenador da campanha "Reaja ou será morto (a)", Hamilton Borges."Elas estão com medo por conta das ameaças das constantes 'batidas' [policiais] e porque também elas não acreditam nas instituições da Bahia. Nós não temos como aceitar as fragilidades dos programas de proteção. Vamos apresentar as testemunhas em um momento certo, depois que garantirmos a segurança delas e a nossa junto ao Ministério Público Federal (MPF). As pessoas estão vivendo normalmente seu cotidiano, mas ninguém sai à noite. O problema central disso é a política de segurança", relata. "Do nosso ponto de vista nós já fizemos o que podíamos. Já demos visibilidade ao caso, e estamos esperando o prazo legal para que a polícia apresente as provas de um confronto. Precisamos dizer ao governador que não estamos em uma guerra", completa Borges. Ainda de acordo com ele, como forma de chamar atenção para o caso, foi definido em uma reunião realizada na noite de quinta-feira (5) que o grupo, junto aos moradores, farão uma alusão às 12 mortes em um tributo ao "Negro Blul", jovem morto por policiais há nove anos nas proximidades do Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães, na capital baiana. O evento será na Vila Moisés, no sábado (7), às 10h. "Vamos fazer atividades culturais, começando com um diálogo religioso que terá a participação de budistas, evangélicos, católicos e grupos do candomblé. Terá também música com cantores de rap, teatro com o Bando de teatro Olodum e outras manifestações", disse. (G1)

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