Filha da Rainha do Bumbum, símbolo sexual, atriz do horário nobre da Globo, transexual. São muitas as histórias sobre Thammy Miranda que vão estar em sua biografia “Nadando contra corrente”, que será lançada em setembro na Bienal. A Retratos conversou em primeira mão com a autora, Marcia Zanelatto, que revela episódios inéditos do livro, e publica também um trecho da obra.
Xixi em pé: “Na infância, Thammy sempre gostou de usar roupas de meninos. Quando tinha 4 ou 5 anos, pediu a avó um kichute. Ele, ainda criança, gostava de fazer xixi em pé. E a família procurava lidar com isso com muita tranquilidade, sem pré-julgamento. Numa das festinhas de aniversário, pediu um He-man de presente. Um dia, Gretchen ouviu de um vizinho: ‘Thammy está muito masculina, está parecendo um sapatãozinho’. E a cantora respondeu: ‘Por quê? Só porque ela gosta de brincar com os meninos na rua? Eu também gostava’. Mas para ele já era a questão do gênero”.
Cuecas do vovô: “Tem muitos detalhes curiosos, que o público não sabe. Como, por exemplo, o avô paterno, um policial civil e sujeito linha dura, que não aceitava muito bem a transexualidade. Até que um dia, durante um almoço em família, o avô perguntou onde Thammy havia comprado as cuecas que ele estava usando para fora da calça. Disse que queria umas cuecas assim também. Thammy realmente é um homem. Ele é muito pragmático, tinha dificuldade de falar de detalhes. Então, eu tive que entrevistar muita gente, como os pais, a melhor amiga, várias ex-namoradas, a família”.A quase primeira vez: “No livro, Thammy conta a primeira transa com uma mulher com detalhes. Mas ela nunca fez sexo com homens. Thammy é virgem. O momento de mais intimidade que ela teve com um homem está no capítulo ‘No motel com Zorro’. Ela tinha 16 e foi para um motel após uma festa à fantasia. O namorado estava fantasiado de Zorro. Ele queria transar, mas aí ela demorou no banho para esperar ele dormir. Depois foi a vez de ele entrar no banho e Thammy fingir que estava dormindo. Eles ficaram naquela negociação para não ter penetração e não teve. Esse foi o máximo que Thammy chegou com um homem”.
Ela ou ele?: “Não me refiro ao Thammy só no gênero masculino. Procurei proporcionar ao leitor a mudança exatamente junto com o que aconteceu na vida dele. Durante muito tempo, ele não sabia que o que ele vivia era uma questão de gênero. Então, ele mesmo se chamava a Thammy, a mulher. Quando ele foi construindo essa mudança e chegou ao lugar de se pensar no gênero masculino, que foi dentro de uma relação com uma das mulheres da vida dele, ele assumiu esse lugar. E essa namorada começou a tratar ele no gênero masculino. No livro, me refiro ‘a Thammy’ até o momento em que ele faz essa mudança de gênero. Isso acontece a partir dos 60% do livro, quando estava com 27 anos. Foi uma opção estética para fazer com que o leitor tenha essa sensação da mudança junto com ele”.
Leia um trecho do livro: “Andressa começou a namorar vendo em Thammy uma mulher com jeito masculino. Uma mulher que gostava de ter um comportamento masculino, como tantas outras, homossexuais ou não. Mas não imaginava que Thammy era um homem. Não sabia nem que isso poderia existir. Ser um homem sem ter um corpo de homem. Isso foi ficando claro ao correr da relação. Quando Thammy disse pela primeira vez que queria começar a tomar hormônios, Andressa não levou muito a sério. Achou que era uma onda, uma ideia passageira. E na convivência viu que não. Que Thammy não era uma mulher que queria ser homem, Thammy era de fato um homem, se sentia um homem, essa era sua auto-percepção e sua identidade. Na vida, pensava e agia como um homem. No comportamento, vestia-se e tinha gestos de um homem. No sexo, era viril e não gostava de estar em nenhuma posição passiva, ficava extremamente incomodado. Penetração nem em sonho. De mulher, Thammy só tinha o jeito de amar, a atenção integral à sua amante, o romantismo, as minúcias. Mais nada”. (Extra)













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