Em reunião com o presidente da Federação Nacional dos Médicos, Geraldo
Ferreira, representantes de alunos de cursos de medicina de 11 estados e
do Distrito Federal decidiram ontem (26) que vão pressionar as
instituições de ensino em todo país para que evitem a adesão ao Programa
Mais Médicos. No último dia 8, o governo divulgou a criação do Mais
Médicos. O objetivo, segundo as autoridades, é estimular que
profissionais médicos atuem em regiões carentes do país. Porém, o
programa permite a contratação de médicos estrangeiros sem a revalidação
do diploma, e inclui dois anos a mais no curso de medicina para atuação
no Sistema Único de Saúde. A proposta gerou polêmicas entre estudantes e
médicos. “Se nós [médicos brasileiros] quando vamos atuar em outros
países, temos de comprovar que sabemos a língua e conhecimento em
medicina, no Brasil não pode ser só chegar aqui e começar a trabalhar”,
ressaltou a estudante de medicina Constance Otoni, da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).De acordo com o estudante Leandro
de Oliveira Trovão, a Universidade Federal do Maranhão decidiu que os
professores não estarão disponíveis para tutorar médicos formados no
exterior, que não tenham revalidado seu diploma. Segundo a Fenam, cinco
universidades seguiram o mesmo caminho.
O Ministério da Saúde informou
que 41 universidades federais se inscreveram no Mais Médicos. Nos
próximos dias 30 e 31, estudantes de medicina e profissionais do setor
prometeram fazer manifestações, nas principais cidades do país, para
protestar contra o Programa Mais Médicos. Também estão sendo organizados
protestos para a primeira semana de agosto. Na reunião de hoje,
estudantes e profissionais também criticaram a inclusão de dois anos
extras no curso de medicina, conforme determina o Programa Mais Médicos,
assim como condenaram a aplicação do Revalida a estudantes de medicina
de instituições de ensino do país. Os estudantes anunciaram que vão
boicotar o processo de aplicação do Revalida para os brasileiros. “O
Revalida não tem relação com os estudantes brasileiros. Uma eventual
avaliação deve ser feita com outros mecanismos”, disse Geraldo Ferreira,
apoiando o manifesto dos universitários. O presidente do Centro
Acadêmico de Medicina da Faculdades Integradas do Planalto Central
(Faciplac), Mateus Leal, informou que será feito um esforço conjunto
para impedir que o programa vá adiante. “Vamos fazer uma marcha com
estudantes de todo o país nos dias de paralisação. Vamos até o Congresso
pedir a anulação dessa MP [medida provisória] e a derrubada dos vetos
da presidente a itens do Projeto de Lei do Ato Médico”, disse.
(Agenciabrasil)













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